Connect with us

+ Esportes

Revolução no berimbau: gestão profissional garante patrocínio a 25% da elite da capoeira no Brasil

Levantamento do Volta ao Mundo Bambas (VMB) mostra que a modalidade, antes vista apenas como cultura popular, atingiu níveis inéditos de profissionalização, superando a organização de esportes tradicionais ao centralizar carreiras e atrair investidores.

Um dado inédito revela uma mudança estrutural no esporte mais brasileiro de todos: a Capoeira. Isso porque um em cada quatro atletas ranqueados pelo Volta ao Mundo Bambas (VMB) já recebe algum tipo de apoio financeiro, seja da iniciativa privada, verbas públicas ou bolsa-atleta.

O número é resultado de uma pesquisa interna da organização que, em apenas três anos, conseguiu tirar a capoeira da informalidade e inseri-la na lógica do mercado esportivo de alto rendimento.

O fim do amadorismo na modalidade

O VMB opera em um modelo similar a uma liga profissional, algo raro em lutas no Brasil. Enquanto modalidades gigantes como o jiu-jítsu e o boxe ainda sofrem com a pulverização de federações, o VMB centralizou a gestão da Capoeira: criou um ranking nacional, padronizou regras e estabeleceu um sistema de credenciamento que hoje abrange 38 instituições e movimenta uma base de mais de oito mil atletas.

O “pulo do gato” da organização foi transformar a Capoeira em um produto televisivo e comercialmente viável, com transmissões no Grupo Globo e na Combrasil TV. Hoje, 55 capoeiristas possuem contratos de exclusividade com a marca, com a meta de triplicar esse número até o final de 2026.

Janaely Gata, capoerista – Foto: Divulgação

Gestão que gera renda e transforma vidas

O impacto financeiro vai além dos contratos diretos. A organização criou a “Trilha do Atleta Patrocinado”, um programa educacional que ensina os lutadores a montarem media kits, apresentarem relatórios e dialogarem com marcas. Essa mudança de mentalidade é destacada por quem vive do esporte.

Janaely Gata, uma das grandes referências femininas do circuito, reforça que o aprendizado fora da roda é tão vital quanto o jogo dentro dela:

“A gente aprende que Capoeira também é projeto, é planejamento, é relacionamento. O VMB não só coloca a gente no palco. Eles ensinam como seguir depois do palco. Isso muda tudo para quem vive de capoeira.”

A visão é compartilhada por Erick Maia, campeão peso médio da organização:

“Antes, eu não sabia nem por onde começar para ter um patrocinador. Com a orientação, aprendi a me comunicar e me posicionar como atleta profissional”.

Para Saverio Scarpati, diretor executivo do VMB, o segredo foi unir o carisma natural da luta com gestão corporativa.

“A Capoeira desperta simpatia, é inclusiva. Esse foi o ponto-chave para mostrar aos investidores que valia a pena apostar”, explica.

O resultado é que a Capoeira, enfim, começa a ocupar o espaço de patrimônio cultural que move a economia real.

Erick Maia, campeão peso médio do VMB – Foto: Divulgação

+ Siga as redes sociais do EsporteVerso: FacebookInstagram e Youtube.

More in + Esportes