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Futebol

Vai começar! A agenda completa, novas regras e as tensões da maior Copa do Mundo da história

Mundial realizado pela primeira vez em três sedes tem o maior número de jogos de todos os tempos, estreia de punições anti-cera, despedida de astros e a Seleção Brasileira em busca do hexa

A espera do torcedor finalmente acabou. A 23ª Copa do Mundo tem o seu pontapé inicial programado para esta quinta-feira (11). O maior torneio de seleções do planeta começará oficialmente às 16h, no horário de Brasília, com o confronto isolado entre as seleções do México e da África do Sul. O duelo de abertura, válido pela primeira rodada do Grupo A, promete parar o continente e marcar o início de uma maratona de 39 dias de futebol.

Pela primeira vez realizada em três países — Canadá, Estados Unidos e México —, a competição contará com 48 seleções e 1.248 jogadores inscritos. A expansão das equipes resulta em um recorde de 104 partidas (contra 64 das edições anteriores) e introduz a nova fase de 16-avos de final.

Aberturas simultâneas e onda de protestos

Antes da bola rolar, às 14h30, os torcedores poderão acompanhar a primeira das três cerimônias de abertura organizadas pela Fifa. As festividades principais ocorrerão no lendário Estádio Azteca, na capital mexicana — o primeiro palco da história a receber três aberturas de Mundiais (1970, 1986 e 2026). O evento terá shows de Shakira, J Balvin, a banda Maná e a cantora Tyla. A artista colombiana divide com o nigeriano Burna Boy a autoria do hit “Dai Dai“, a música oficial desta edição.

A estratégia da Fifa de dividir os shows busca valorizar a cultura local. Nos Estados Unidos, em Los Angeles, o evento terá Katy Perry e a brasileira Anitta. No Canadá, em Toronto, Michael Bublé e Alanis Morissette comandam a festa.

No entanto, o clima na Cidade do México é de tensão. Milhares de manifestantes prometem marchar em direção ao Azteca. Grupos sindicais e de direitos humanos, liderados por professores em batalha contra o governo por mudanças na previdência, estimam reunir cerca de 5 mil pessoas nos arredores do estádio.

Onde assistir aos jogos de hoje

Abaixo, a programação completa e as transmissões do primeiro dia de Copa do Mundo:

Jogos e Eventos de Hoje — 11 de Junho
Horário Evento / Confronto Onde Assistir
14h30 Cerimônia de Abertura (Estádio Azteca) TV Globo, SBT, SporTV, N Sports, Ge TV e CazéTV
16h00 México x África do Sul TV Globo, SBT, SporTV, N Sports, Ge TV e CazéTV
A definir Coreia do Sul x República Tcheca CazéTV (YouTube)
Guia da Copa do Mundo 2026 — Esporteverso

Estreia de regras anti-cera e punições rigorosas

O torneio na América do Norte marcará uma revolução na arbitragem. O VAR foi ampliado e agora poderá intervir em aplicações incorretas de segundo cartão amarelo e marcações erradas de escanteio ou tiro de meta.

A cruzada da Fifa contra a “cera” traz regras drásticas que prometem mudar a dinâmica do jogo:

  • Laterais e tiros de meta: Os atletas terão 5 segundos para a cobrança. O descumprimento reverte o lateral para o adversário ou concede um escanteio (no caso do tiro de meta).
  • Substituições: O jogador tem 10 segundos para sair. Se estourar o tempo, ele sai, mas o substituto deve esperar 60 segundos para entrar, deixando o time com um a menos nesse período.
  • Atendimento médico: Jogador atendido em campo precisa sair e aguardar 1 minuto para retornar.
  • Disciplina: Cartão vermelho direto para quem cobrir a boca com a mão ou camisa ao discutir com o adversário, e para quem abandonar o campo em protesto contra a arbitragem.

Tensões geopolíticas e vistos negados

As barreiras políticas extracampo são outro desafio imenso em 2026. Com a ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a participação iraniana virou uma questão de segurança nacional. Hospedados em Tijuana, no México, os iranianos só podem cruzar a fronteira americana na véspera das partidas. A delegação foi orientada a abandonar o campo caso ocorram protestos políticos nas arquibancadas.

As medidas restritivas dos Estados Unidos causaram estrago diplomático: 15 membros da federação iraniana tiveram vistos rejeitados, cotas de ingressos foram revogadas e revistas rigorosas com cães farejadores estão sendo aplicadas. O rigor sobrou até para o melhor árbitro da África, o somali Omar Abdulkadir Artan, que foi barrado de entrar no país, e para o astro iraquiano Aymen Hussein, interrogado por sete horas na imigração.

Os favoritos, a busca pelo Hexa e as zebras

Dentro das quatro linhas, as forças estão muito bem desenhadas. A atual campeã Argentina entra como líder do ranking da Fifa, mantendo a base vitoriosa. A França lidera o favoritismo europeu com um elenco formidável puxado por Mbappé. Ao lado deles, a Espanha chega embalada pelo jovem Lamine Yamal e ostentando os recentes e pesados títulos da Eurocopa, da Nations League e o Ouro Olímpico.

O Brasil, comandado por Carlo Ancelotti, corre por fora no ranking, mas chega com o peso da camisa para quebrar o jejum de 24 anos. A Seleção estreia neste sábado (13), às 19h, contra o embalado Marrocos pelo Grupo C, que ainda conta com Haiti e Escócia.

Por falar em Marrocos, a equipe africana é o grande pesadelo dos gigantes. Após o histórico e chocante quarto lugar no Catar em 2022, eles estão consolidados e despontam como a principal seleção pronta para ser a zebra do torneio e derrubar as potências tradicionais no mata-mata.

Comandada por Messi, Argentina é a atual campeã da Copa do Mundo — Foto: Reuters

Despedidas lendárias e os ingressos de US$ 13 mil

As emoções não ficarão restritas apenas aos placares. O mundo do futebol verá a despedida definitiva de seus maiores ídolos em Copas: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Luka Modrić, Manuel Neuer, Son Heung-min e Guillermo Ochoa jogarão a competição pela última vez.

Neymar vai para sua última Copa do Mundo – Foto: Vitor Silva/CBF

Em contrapartida, os holofotes se viram para joias como os espanhóis Lamine Yamal (18 anos), o francês Désiré Doué (20 anos), os brasileiros Endrick e Rayan (19 anos) e o prodígio local mexicano Gilberto Mora, o atleta mais jovem do torneio aos 17 anos.

Por fim, o espetáculo sofre duras críticas pela elitização. A venda de ingressos está abaixo do esperado devido aos preços exorbitantes — a entrada média para a grande final em Nova Jersey beira os inacreditáveis US$ 13 mil (cerca de R$ 65 mil). A insatisfação chegou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou publicamente que não pagaria esses valores para assistir às partidas.

A bola vai rolar e a história será escrita. Que comece a Copa do Mundo.

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